quinta-feira, 1 de maio de 2008

Roda Viva

“Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu”

E é assim mesmo que nos sentimos, a vida não nos dá trégua, sentimos saudades,
sentimos falta, angustia, desespero, somos atormentados e infelizmente nem chegamos ao
ponto de sermos beneficiados com a morte. É tudo uma questão de ver as coisas como elas
realmente são, perder tempo fantasiando aquele futuro alusivo de felicidades, que pena, doce pena.


“A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu”

E aí ficamos estagnados, sem perspectivas, sem memórias agradáveis, porque só é memória
agradável se a situação continua no mínimo parecida, e agora já não é mais. As coisas crescem ao
redor, ganham asas, criam flores, e só o estancamento condiz com o que somos.
“A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar”

Queremos domar nossos próprios cavalos, e assim, tomar as rédeas das situações de vida,
queremos ter paz e tranqüilidade sem que isso nos custe o doce suor do trabalho. Apitar o jogo,
fazer as regras, podendo fazer a manutenção quando nos aprazer. A conveniência das coisas,
torna tudo mais fácil, porém, ela não é a tônica da vida.


“Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá”

Só assim quando caímos em nós mesmos, e nos deparamos com a realidade das coisas,
que notamos que o tempo todo em que matutamos sobre qual atitude e caminho seguir, já nos levou
as pernas e a vontade, e que acabou, não tem mais volta. Ficou pra trás.

“Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração”


"A gente escreve, nem tudo faz sentido, nem tudo é acatado, nem tudo parece
no minímo normal ou sensato, mas é preciso, é preciso expor, não vou deixar-me
atrofiar."


Vinicius Canova Pires