domingo, 17 de fevereiro de 2008

Éramos seis;


Me lembro ainda com carinho daquele ano que para nós do terceiro ano do Colégio Pitágoras(extinto), em Porto Velho, e que foi o menos proveitoso nos quesitos didáticos e práticos, mas também que inspirou nossas peripécias e “aventuras” mal pensadas e indiscretas. Talvez tenha sido o ano de 2006 que nós criamos laços e vínculos que infelizmente a partir dali, se dissolveram com a mesma facilidade. Todos nós lembramos com humor da nossa “formatura”, de como tudo aquilo tinha sido planejado de maneira tão formal, e que a finalidade, pelo menos ao meu entender, seria o “toque magistral” que nos passaria de ano.
Ledo engano! Nossa peça teatral, carinhosamente apelidada pela direção da escola de “formatura”, foi o inicio de tudo o que temos hoje, seja em resquícios ou em doses completas: humor, tristeza, decepção, mágoas, carinho, e um pingo de bem leve de sarcasmo (por parte da direção). Tudo que havia sido planejado de forma excelente, pelos “intelectuais” da direção, para que nós plantássemos esperanças, que já estavam mortas há muito tempo.
E aí, que num dia de trabalho árduo preparando trabalhos e mais trabalhos para recuperação final, que em trabalho em equipe, conseguimos terminar tudo, inclusive nossos experimentos de física, que o professor T. L. H., um protótipo de professor e ser humano, resolveu aplicar sobre nós, como forma de penalidade pela falta de estudos durante o ano. Conscientemente em nossas mentes, tínhamos a sensação de trabalho cumprido, e durante o processo árduo de montagem de trabalho, apresentação e esperas entre uma aula e outra, aprimoramos uma amizade que se caracterizou durante muito tempo (relativamente), por ter laços bem fortes.
Infelizmente, tudo que fizemos foi em vão – pelo lado escolar – mas encontramos em nós, algo que jamais teríamos encontrado se talvez estivéssemos condicionados outrora a passar de ano, e seguirmos nossas vidas. Seria exatamente como nos anos anteriores uma “crosta” de individualização, nos separava fazendo com que cada um cuidasse de seus interesses. Ao final de 2006, seguindo a cronologia dos fatos, foi bem diferente. Milton, Eu, João Gabriel, Alexandre, Israel e Lígia – nós conseguimos manter uma amizade forte, até que as coisas fossem se degradando por vez.
A parte da degradação com certeza irei pular, hoje meu objetivo é poder falar das qualidades que eu percebi em cada um de meus amigos tão queridos, que também me ajudaram a solidificar o que hoje eu posso chamar, de um caráter praticamente imutável(pelo menos pra pior), e que me tornou com certeza, uma pessoa bem mais prestativa, e bem mais atenciosa, e acho que talvez, isso cabe um pouco a eles também – afinal de contas – essa é a finalidade da amizade, pode-se dizer também que ela é cíclica como a vida: nasce, cresce e morre. Ou não.
Abaixo o que penso dos meus queridos amigos, o retrato é quase fiel:

Milton Jr: Infelizmente o Milton foi o primeiro a “desfalcar” o grupo. Algumas discussões internas, e algumas atitudes que não correspondiam com a palavra “amizade”, fez com que ele se afastasse. Mas apesar de tudo, como nada foi comigo, tenho carinho pelo Milton, em suas melhores horas consegue ser engraçado, conversador, é de certa forma uma pessoa humilde – porque dentre nós, talvez seja o que tem mais dinheiro. Mesmo com tudo o que aconteceu, pra mim o Milton é ainda um grande amigo, e agora pretende, no segundo semestre do ano começar o curso de medicina na São Lucas, sorte pra ele.

Alexandre: Trappel, Jatu, Almirzinho, são os alcunhas que ele já foi conhecido, e tão carinhosamente designados por nós. O pequeno-grande “jatu”, sempre teve um enorme poder de cativar as pessoas, ele foi se entrosando de forma tímida, e acabou conquistando nossa amizade até de forma surpreendente. O Alexandre, esguio, mirrado, parecia mais um ratinho de circo do que propriamente uma pessoa, no primeiro ano do ensino médio, mas por trás dessa mascara, após um tempo, descobriu-se que ele era na verdade um tremendo garanhão do Cohab, Eldorado e outras localidades próximas. Um querido do clã, que resolveu evadir-se quando teve um “up” na vida, infelizmente, nos deixando de lado para viver com pessoas e lugares diferentes.

Israel: Esse é o nosso querido. Entramos em consenso de que nesse mundo, ainda não existe ou existiu alguém mais querido, e bom coração quanto o Israel. O Israel é genuinamente engraçado, e também concordamos que quando a comédia vem forçada, ele é um zero à esquerda. Digamos que o Israel sempre nos deu grande importância, vinha de longe pra bater um papo conosco no centro da cidade, sempre na casa da Lígia – tomando um tereré. Hoje em dia o Israel pretende fazer enfermagem ou coisa do gênero, sei que ele irá batalhar pra alcançar seus objetivos, e claro, seja por seu esforço ou por cativar as pessoas, ele o conseguira.

Lígia: A “mimadinha” da turma. Não sei de que forma a Lígia conseguiu conquistar praticamente todos do grupo, e olha que ela nunca se esforçou muito pra isso. Digamos que no ápice da nossa amizade, ela foi muito querida conosco, convites intermináveis para conversas produtivas (ou não), em sua casa, ficaram na memória e ficarão por muito tempo. A Lígia tem um potencial enorme pra alcançar os objetivos, não importa como. Só que às vezes, sabemos que ela faz um charme, e acabamos no vão. Hoje a Lígia está estagiando na justiça federal, e creio eu, que fará direito. E nós sabemos que ela terá todo sucesso na vida.

J. Gabriel: Esse é um cara bem diferente do que eu estou costumado a ver. É a única pessoa que eu consigo concordar em tantas coisas, quanto discordar. E olha que nossos assuntos rendem bastante, porque argumentação é o que não falta. O “Biel”, além de ter uma capacidade enorme de raciocínio e uma devoção não admitida pelos seus amigos e familiares, tem parâmetros para atingir cedo o sucesso. E eu não espero menos do que isso dele. Conhecido como estressado, mal humorado, sem senso de humor – o João Gabriel – em menos de 2 anos mostrou ser totalmente o contrário, sendo que hoje, seja talvez o cara que mais me faça rir.
Ele vai embora, vai nos deixar, e talvez o laço “Pitagoriano” se desfaça por aí.
Sorte na vida meu amigo, boa viagem pra João Pessoa e sucesso, tanto pra você quanto pros outros.

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Escrever sobre mim, não teria graça, e talvez eu tivesse muito mais coisa pra escrever – afinal de contas, é um capitulo importante da minha vida, e talvez da vida deles que esteja virando. Como tudo que um dia é repleto de felicidade e alegria, em outra época também pode ser desilusão, infelicidade e tristeza. Mas não sinto isso, vamos nos separar com certeza, e nunca mais a amizade será a mesma, mas eu desejo a todos eles, o maior sucesso do mundo. E claro, pra mim também.

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"A amizade é semelhante a um bom café, uma vez frio, não se aquece sem perder bastante do primitivo sabor." Immanuel Kant