segunda-feira, 2 de junho de 2008

Você com eles e eu comigo, sempre comigo.

A dissonância dos nossos caminhos, aperfeiçoam minha observação. E isso tudo só te dá prazer pelo quase 1/4 de século que superficialmente esboça maturidade e compreensão. Qualidades difusas em mim.

Mas são apenas metáforas sem sentido.

Meu tempo já passou. O que acontece agora, é que o vento norteia um caminho com o ar pouco mais rarefeito,e provavelmente depois de tantas experiências que eu já vivi - ou que deixei de viver - creio que o pulmão acostumou-sea se estreitar. Faltou fôlego por diversas vezes. Faltou ventura, disposição.

O tempo massacrou demais as minhas costas, mas não posso repreendê-lo por isso. A tarefa do tempo, é passar. A minhaé descobrir a fórmula anestésica pra que ele me contemple com sua generosidade.Peço-lhes desculpas por não me fazer compreendido. Hoje só existe uma pessoa com quem eu quero conversar.E só uma pessoa que saberá conduzir o meu diálogo ao entendimento. E ela mora longe, mas também mora comigo.

E toda vez que penso ter certeza do caminho que seguirei na minha vida, é ela quem faz com que eu mude todos os planos. Perso... na... l.. a força acabou, juntamente ao meu último copo de uísque. O sono bateu, a tristeza também. São dias de miséria no coração dos errantes. E eu sou um errante.

Quero saborear um pouco de luz. Mas a luz não vem, e a pessoa não vem, e eu não venho. E nada vem. Não me entendo mais. Mas tem gente que se alimenta de luz. Eu quero encher o meu prato. Cadê o cardápio? Fome. Sede. Cheiro de sepulcro, cheiro de cinza e de morte. Fim.

domingo, 1 de junho de 2008

Ode a dissimulação: - Teste

Eu não vi.
De repente o mundo todo de cabeça para baixo.
E eu envolto a uma pequena poça de sangue.
Minha cabeça! O crânio foi afetado, dói, realmente dói muito.
Não pode ser, todos eles se foram, todo mundo jogado no chão.
Mas eu não, por que! ?

- Um teste.
Uma voz disse.
- Um teste? Eu retruquei.
E logo vieram os gritos:
- PODEM ERGUER!

E o guindaste fez o trabalho bruto, juntou todo o resto dos estilhaços e pedaços de ferro aos quais não atingiram ninguém. Foi pouco. Muito pouco. Sobrou muito. Excessivamente muito.
Não compreendi porque eu continuava ali parado, com as pernas cruzadas. Os bombeiros chegaram, e eu não parti. O som da sirene evaporando com a distância apertava o meu coração.
Dor.
Sofrimento.
Angustia.
Não sabia em que lugar, em que mundo, em que parte do meu “eu” estava compenetrado nesse exato momento. A única coisa que sei agora é que uma melancolia me abateu assim de forma grosseira. Sem bater na porta, sem pedir licença.
Eu olho pra cima e vejo algumas nuvens que ameaçam segregar-se uma das outras e o céu azul ficando alaranjado decretando o final de mais um dia.
E abaixo de mim, ainda vermelho. Sangue. Muito sangue. Chão praticamente rubro-negro sangue meu fresco e sangue coagulado dos meus amigos mortos. Que eu matei? Não. Eu não matei ninguém. Fechei os olhos e quando abri estava no 1º DP e me disseram que acharam duas garrafas de vodca Absolut no carro. Mas eu não bebi. Eu juro. O delegado me disse que vodca causa amnésia, o que será isso? Esqueci.
O que foi que eu fiz?
Porque todo mundo aponta o dedo pra mim?
Assassino? Não, não posso ser. Eu amo meus amigos.
A voz volta a me flertar:
- Um teste.
E dessa vez fiz questão de ficar calado. Quanta coisa veio até minha cabeça. A infância, o Henrique, o Ricardo, o João, o Roberto, todos nós correndo e brincando, jogando futebol, se divertindo e a ultima lembrança que tenho deles é a piscina de sangue exposta ao meu redor, e ninguém sorrindo. Ninguém se divertindo.
Cheguei em casa, fiz questão de não falar com ninguém, sei que todos já sabem. Prefiro adentrar direto pela porta dos fundos e subir até o meu quarto. Tirar minha roupa. Me dirigir até o banheiro e encher a minha banheira com água morna e sais de banho, preciso pensar. Preciso agir. Preciso voltar a viver. Eu não matei ninguém. Eu não sou um assassino. Mas não é o que dizem. E sinceramente, não é o que eu sinto. Estou choroso, mas não consigo chorar. Não consigo sentir culpa. Não me sinto mal pelo que fiz.
Amanhã farei uma visita a casa de cada um de seus pais. E preciso parecer sincero. Mesmo que os meus olhos não demonstrem isso. Mesmo que a minha irresponsabilidade tenha sido a tônica de toda a minha vida, preciso parecer sincero. Isso é o que se comercializa, é o que se vende, é o que se troca. Preciso convencer. Sou um bom administrador. Administro sentimentos, administro amizades, administro meus prazeres, sou como um bom ventríloquo, faço a pessoa dançar, conforme eu quero e não conforme a dança. E dessa vez não vai ser diferente. Caso não forem bons anfitriões, cabe a mim cuspir no túmulo de seus filhos, posteriormente voltando à embebedar-me, e prodigar mais do que o normal nessa vida que já fiz questão de jogar com as minhas duas mãos, no lixo.
Nada bom. Foi como eu imaginei. Não convenci. Não fui convidado para tomar chá com biscoitos. Eles me vêem como um vilão. Não consigo entender isso. Acho que não sou um bom perdedor, afinal de contas de tão inconformado, quantas vezes repeti a palavra “não” ? Preciso me refugiar. Uma toca. Renovação, esse é o nome certo. Um local onde eu possa começar do zero, ludibriando com meu pouco intelecto ao qual “administro” com todo respeito também, muito bem – todos que possam agregar o meu ciclo social. Maldita bebida. Não consigo me desvencilhar dos meus vícios. Já roubei vidas, amores, paixões, dinheiro, caráter, amigos, mas nunca imaginei que isso pesaria para mim dessa forma.
Mas dizem que existe solução fácil pra esse tipo de coisa, esquecer e empurrar com a barriga. Eu juro que amo meus amigos, mas de que vale a vida deles, se eu não me divirto? Vou me fazer de vitima, afinal de contas estou traumatizado. Coitado de mim. E ninguém vê isso. Ninguém me defende. Por isso que eu uso minha habilidade parar estar envolto a essa camada de mentiras, acho que minha vida vai até o final dessa forma. E finalmente parei de ouvir aquela voz chata me dizendo que era um teste, esse teste eu já passei. Contornei tudo isso da forma mais fácil. Conservei boas amizades, e ainda fiz outras. Acabei com vidas, mas isso é um ciclo natural. Enquanto 4 se vão, 8 se renovam. Isso é bíblico. Não me culpem. Espero que vocês sejam felizes, porque eu estou sendo e muito. E agora por favor, licença que eu to indo ali abrir uma garrafa de Absolut.

Vinicius Canova Pires

sexta-feira, 23 de maio de 2008

O último sorriso

........Há quem conquiste por porte físico. Quem conquiste por dons intelectuais misturado com a aplicação da perspicácia. Há quem tenha facilidade na conversa, na desenvoltura, na argumentação, assim fazendo outras pessoas de presa fácil. Difícil mesmo é conquistar com um sorriso. Mas não um sorriso comum, simplesmente por sorrir, por mostrar a brancura exacerbada dos dentes, e sim com a finalidade de demonstrar sinceridade e pela naturalidade em que os olhos e o resto das expressões faciais acompanham esse movimento labial.

........Sou um homem contemplado. Tive a sorte de conhecer uma pessoa assim. O prazer e a forma em que eu frisava cada momento, a cada sorriso, e esse mesmo sorriso fazia com que cada dia passasse com um pouco mais de alegria, e um pouco menos de angustia. Porque lembrar desse sorriso, era tarefa fácil, afinal de contas ele se abria pra mim a cada encontro, a cada presença física, a cada conversa e a cada palavra doce em que ela costumava pronunciar a mim. E quando a presença física dela não se fazia constante ou quando sua ausência se fazia presente, fazia o que podia e o que não podia pra causar em mim esse efeito sorridente, essa expressão física de ampla felicidade.

........Mas como todo bom homem mal agradecido, deixei com que esse presente, essa conquista minha, se esvaísse por desgaste. E ela foi sorrindo, sorrindo, e eu também, foi recíproco – até que um dia eu resolvi jogar tudo para o alto e ofuscar a sublimidade desse efeito com o meu egoísmo e com meu caráter paranóico, desenfreado e inconstante. Mas não me considero um perdedor, afinal de contas quando se consegue prender algo assim por 1095 dias, não é pra qualquer um. E claro, apesar do sorriso singelo e mais perfeito que já conheci, ela sempre foi dura na queda. E um dia do jeito que fui e continuo sendo, é claro que uma pessoa com uma personalidade e uma autonomia sentimental e emocional tão grande, não agüentaria um Canova egoísta por muito tempo. Mas eu tive sim.

........Eu tive todos os sorrisos sinceros dela, e ela teve os meus. Ela é perfeita, e infelizmente não posso dizer que lhe acabou a perfeição por não estar mais comigo. O sorriso dela conquista, deturpa, transfigura, molda, destrói, constrói – é difícil – mas é perfeito. E ela sorriu pra mim pela última vez no terminal rodoviário da Barra Funda em São Paulo. Depois ela chorou, e da mesma forma como o sorriso, a sua tristeza também contagia – mas não fiquei triste, no final das contas percebi que pelo menos uma vez na minha vida, estava sendo querido, amado, importante e se fazia importante a minha continuidade ali. Mas levei o sorriso dela comigo, e levo até hoje junto ao amor que lhe dei e que recebi durante esse tempo. E mesmo que o tempo passe, que amigos venham e vão, mulheres, homens, família, hei de ter sempre certeza de que sorriso mais lindo do que o dela, nunca encontrarei.
- Parabéns, esse dom é pra poucos. Isso é o que eu gostaria de lhe dizer hoje.

Vinicius Canova Pires

sábado, 3 de maio de 2008

O furto

........Sorrir, brincar, correr, lembrar, curtir, meditar, corar, vibrar, silenciar, coisas costumeiras de nossa vida, mas de importância cabal. É importante que se fale de confiança, porque a confiança é o braço e o resguardo que protege esses nossos tesouros. Perder isso, é o primeiro passo parar sermos pusilânimes. Perder isso, é como andar no orbe vazio, não ter rumo, cair sem bússola em território amplo e desconhecido.

........Ser fraco de espírito, fraco de personalidade, fraco de caráter faz com que nos tornemos pessoas tristes, acanhadas, medrosas, nos desprezando a cada passo, a cada tentativa. Sem a bendita confiança, nos sentimos vazios, mas o que fazemos para preservá-la? Nada. Pelo contrário, acho que o desprezo pela confiança, o descaso por ela e sua banalização, fazem as pessoas mais hediondas do que o simples acaso de cometer erros triviais.

........Sou um desses fracos de espírito convicto. A minha vida é uma sucessão de erros e descréditos, não para comigo que satisfaço meu ego a cada mentira que conto pra mim mesmo, mas para com os outros. Um ser humano assim, está fadado a ser solitário inclusive ao além-vida no qual não acredito, mas visualizo facilmente em minhas tentativas ridículas de me sobrepor ao que minha ignorância faz desacreditar.

........Tornei-me assim o estereotipo da pessoa vulgar, medíocre, enfim. Perdi a confiança em mim mesmo, fazendo com que a gana pela minha individualidade sobrepujasse minhas boas características, as quais hoje, não creio mais. E isso tudo porque roubar o que é dos outros, é mais satisfatório do que conquistar por si só. E acreditar que eu já olhei por cima, me vendo como uma pessoa de boa índole, caráter, porém, não sou diferente da maioria.

........Vejo assim, um crime. Cometo um crime, e um criminoso é ironicamente “furtado” de sua socialização, de conviver com pessoas de boa índole, de pessoas de bom senso. À partir disso, é fácil concluir que agora não resta mais nada, furtei, e agora fui furtado. E, tudo isso é cíclico. Não para, é sempre assim, sempre foi assim. E assim, sempre vai ser. Procuro o caminho mais fácil, e agora licença, vou me entregar.

Vinicius Canova Pires

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Roda Viva

“Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu”

E é assim mesmo que nos sentimos, a vida não nos dá trégua, sentimos saudades,
sentimos falta, angustia, desespero, somos atormentados e infelizmente nem chegamos ao
ponto de sermos beneficiados com a morte. É tudo uma questão de ver as coisas como elas
realmente são, perder tempo fantasiando aquele futuro alusivo de felicidades, que pena, doce pena.


“A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu”

E aí ficamos estagnados, sem perspectivas, sem memórias agradáveis, porque só é memória
agradável se a situação continua no mínimo parecida, e agora já não é mais. As coisas crescem ao
redor, ganham asas, criam flores, e só o estancamento condiz com o que somos.
“A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar”

Queremos domar nossos próprios cavalos, e assim, tomar as rédeas das situações de vida,
queremos ter paz e tranqüilidade sem que isso nos custe o doce suor do trabalho. Apitar o jogo,
fazer as regras, podendo fazer a manutenção quando nos aprazer. A conveniência das coisas,
torna tudo mais fácil, porém, ela não é a tônica da vida.


“Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá”

Só assim quando caímos em nós mesmos, e nos deparamos com a realidade das coisas,
que notamos que o tempo todo em que matutamos sobre qual atitude e caminho seguir, já nos levou
as pernas e a vontade, e que acabou, não tem mais volta. Ficou pra trás.

“Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração”


"A gente escreve, nem tudo faz sentido, nem tudo é acatado, nem tudo parece
no minímo normal ou sensato, mas é preciso, é preciso expor, não vou deixar-me
atrofiar."


Vinicius Canova Pires

domingo, 27 de abril de 2008

O LIXO

......... Material reciclável é definitivamente o que nós, abutres, somos. E lixo com vida, lixo com material genético, lixo com vontade própria, lixo com pés e os restantes dos membros. Vejamos o que diria o dicionário sobre “lixo”:

- Do Lat. lixiu ou lixu

s. m.,

todo o tipo de material desnecessário não aproveitável ou indesejado, originado no processo de produção e consumo de produtos úteis;

tudo o que se retira de casa ou de qualquer lugar para o tornar limpo;

sobras;

detritos;

cisco;

sujidade;

imundície;

fig.,

coisas inúteis.



.........Puta merda! O dicionário infelizmente não é amigo do lixo, vede essa retratação que
mais pejorativa, impossível. Mas felizmente hoje em dia atribuiu-se o benefício da reciclagem,
a transformação do imundo, dos detritos em material reutilizável, que beleza, que lindo,
que maravilha. E nós, os seres humanos... somos passíveis de reciclagem?
Não cabe a ninguém essa resposta. Na verdade, eu infelizmente ainda não conheci
ninguém que tivesse personalidade o suficiente pra se reciclar, e óbvio, é muito mais fácil
permanecer como lixo.

.........Progresso, ah o progresso, ah... a utopia do progresso, que pra mim, é a realidade do regresso,
tão bonito falar isso, parece até erudito, mas infelizmente ando preocupado com o que anda
acontecendo ao redor. Como diria um amigo meu, que me fala aos ouvidos todos os dias antes
de ir dormir:



- “É claro que eu queria sentar e bater papo
Claro que eu queria ficar pra jogar conversa fora!
É claro que eu queria sentar e bater papo...
Mas alguém está na escuta..”



.........Então é hora de ser retrato fiel do lixo e seu material orgânico, não falar,
não ouvir, e nem ver nada. Até a hora da reciclagem (geral).


Hoje o texto é só pra mim, não tente achar sentido.*

Vinicius Canova

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Saliência abdominal

......... Muito do que fazemos em vida, reflete psicologicamente, emocionalmente e até fisicamente em nossas características mais peculiares em cada ponto vital do corpo humano, este considero até hoje, imutável (para pior) em alguns quesitos como: personalidade, caráter, e outras coisas que dificilmente regridem. Outras coisas se correlacionam, em síntese: fazem com que o corpo projete coisas do emocional. Um bom exemplo: Minha barriga saliente, que de certa forma é um orgulho ostentá-la, e por outras perspectivas, nem tanto.
......... Explicar um texto sem pé nem cabeça assim, com certeza não é tarefa fácil, mas não vou me eximir de cumprir o meu papel. Digamos que exista em mim, uma vontade imensa de obter visualmente uma diferenciação do senso-comum, e é tão gritante isso em mim, que acabo exagerando na dose em certas circunstâncias. A bebida hoje, virou a tônica da minha vida, a cerveja e os aperitivos viraram centro das minhas atenções, deixando também esvair-se minhas obrigações e até minha futura educação jurídica, na qual eu sei, sentirei falta.
......... Mas é assim mesmo, hoje eu choro pelos dias de ensino fundamental e médio que deixei pra trás, dizendo pra eu mesmo que tudo isso era fácil de resolver, quando eu na verdade ingressasse na faculdade e fizesse um curso no qual eu admirasse, gostasse e sentisse um afinco, uma vontade extrema de prosseguir. Argh! Que raiva, me enganei de novo. Aliás, sei exatamente hoje o que eu quero, e vou cair em contradição. Ano passado eu sentia uma vontade exagerada de ser alguém na vida, fazer planos, quem sabe até me casar? Oh, seria uma vida boa demais pra um Canova.
......... Mas acho que optei pelo regresso, a cerveja tem sido o divisor de águas na minha vida, não como vilão, lógico que não. Mas ela me mostra quem eu sou realmente, quem eu sou por dentro, e até flerto melhor com os meus demônios, e o pior de tudo é que eles não são fáceis de domar. Agora quem é que sabe se depois de domar, eu não posso entrar novamente em fase de progresso? Quanta gente não-audaciosa nesse mundo, e eu cá nesse grupo heterodoxo. É tão mais fácil ser conservador, posso ser da extrema direita e me encaixar facilmente na sociedade.
......... Mas eu só faria isso, se eu fosso detentor do monopólio de toda essa mentira, dessa hipocrisia e circunstâncias que me fazem optar pela diferença, e com essa diferença, tornar-me indiferente e alheio à tudo e a todos. Até a minha pessoa é banalizada se eu olhar por esse lado, infelizmente o medo começa a açoitar em horas que não deveria. Eu me sinto desprotegido de algumas coisas, mas é bom sair, conversar, bater um papo, e engordar. Isso tudo seria um prólogo da vida que se esboça só.
.........E viva o meu avô Genuíno Canova, que entornava vinhos e cachaça dia e noite, proclamando a sua vida vazia, porém, também declamando poemas de vida e histórias de felicidades onde a lucidez estava ausente há muito, muito tempo. Viva o meu avô, Genuíno Canova, que não tinha saliência pra ostentar infelizmente, pois o câncer o corroeu, mas ele foi feliz, ele fez a companhia dele, e tornou seus pensamentos e mente os seus melhores amigos do mundo inteiro. E se eu tiver sorte, também terei amigos desse porte, e morrerei de câncer, ou de cirrose.

Vinicius Canova Pires